Música no Cinema

CONVERSANDO COM GUILHERME VAZ

 NUITS ROUGES, de Georges Franju.

 Recebo de Guilherme Vaz o seguinte e-mail (com sua grafia característica):

"Caro Bach _

Gostei muito dos apontamentos sobre a música no Cinema principalmente dos fatos _ dados _ não sabia que Saint Saens tinha feito música, naturalmente ao lado, mais que para o cinema, mas é intrigante isso _ é belo _ . Quero dizer que tenho o trabalho de Hermann como importante em alto conceito mesmo e mesmo dotado de beleza _ gosto mesmo _ mas na minha opinião a musica para cinema ainda não se conhece, às vezes acho que não começou, por exemplo, a minha trilha para o "Fome de Amor" do Nelson Pereira dos Santos, 1968, é desde lá muito mais avançada do que tudo que se faz mesmo hoje foi a primeira a usar musica concreta no cinema do Brasil em longa metragem de facção _ o queixo de Paulo Porto que era enquadrado na câmera quebrando foi reproduzido como ruído de vidro quebrando gravado no studio de Herbert Richers na Tijuca _ o primeiro filme a assumir o ruído como musica no nosso cinema _ o que chamo "a classe baixa do som", proibida, o ruído, por comparação com o som musical, a sua elite _ ha na musica idem um dissenso de classes mal percebido e oculto por preconceitos vendados _ o cinema pode, e eu fiz ali _ colocá-las junto na mesma musica _ . Não ha filme norte americano, a não ser muito recente com a estética do Fome de Amor de 68 _ podem conferir _ dali veio "O Anjo Nasceu" e novamente com musica minha _ portanto este pioneirismo é positivo _ . Trechos dessas concepções inclusivas podem ser vistos na musica da "Veneno da Madrugada" de Rui Guerra. Bom só para notar _ , Gostaria também de levantar aqui um livro essencial para todos que lêem sobre musica no cinema _ este é um item critico na minha opinião _ "Composing for the Films " _ de Hans Eisler e Theodor Adorno _ que considero o melhor texto critico de musica para cinema que conheço _ lá esta escrito um conceito transcendental para mim: " A música no Cinema é o que move _ "moves" _ a câmera, ela não descreve, apenas move o filme na direção do filme, para frente " _ isso é essencial _ um forte abraço do Guilherme Vaz."

Guilherme,

leio o seu e-mail ao som da deslumbrante trilha musical do filme "Nuits Rouges", de Georges Franju (1974), que consegui extrair do DVD, graças ao programa gratúito FREE VÍDEO TO MP3 CONVERTER 3.1.2.1 (basta baixar via Google) e fico pensando na minha maneira de trabalhar com o maestro Nelson Ayres. Por ter formação musical básica e clássica (como tecladista) e conceber meus próprios roteiros, eu escrevo pensando na música. Nunca consegui imaginar a música como um corpo estranho ao filme. Franju (assim como Godard e tantos outros) parecia fazer a mesma coisa, quando imaginou seu filme estranho e atípico. Tendo em mente o "Réquiem", de Hector Berlioz (que, inclusive, pode ser ouvido em alguns trchos), compos e arranjou uma intrigante peça musical. Godard filmou O DESPREZO, ao som de "Bis du Bei Mir", de Bach; Georges Delerue compos o antológico "Tema de Camille", tendo a música do gênio como referência. Minha forma de trabalhar com Nelson é similar. Estou escrevendo o roteiro de meu próximo filme UM ANJO DESARTICULADO, tendo o "Poema do Êxtase", de Alexander Schriabin, e os "Noturnos", de Debussy, como fonte de inspíração. Quero dar a Ayres, neste B.O. (Baixo Orçamento), condições de dar asas à sua exuberância criativa e os recursos necessário para ele trabalhar com uma grsnnde orquestra e um coral feminino, pois desde a gênese do projeto tenho sonhado em fazer "dialogar" o intimismo dos exíguos personagens (dois ou três, ou - no máximo - quatro em algumas poucas cenas) com a espacialidade das locações (igrejas, seminários, santuários naturais, estações ferroviárias, etc) e a vastidão das almas erráticas e desesperadas, através da intensidade da música sinfônica. Imagino investir 30% do orçamento na trilha musical porque considero ela tão essencial quanto a imagem.

 Deixo aqui, para sua apreciação (e dos leitores do blog), o lindo tema de abertura de NUITS ROUGES, composto pelo diretor Georges Franju:

http://www.4shared.com/file/73686789/1ddf42d8/01_Tema_de_Abertura_do_filme_Nuits_Rouges_-_Tema_de_Abertura.html



Escrito por Carlos Reichenbach às 16h16
[] [envie esta mensagem] []


 
   Candangos

OS MEUS CANDANGOS DE BRASÍLIA 2008

 Remexendo em minha anotações pessoais - durante o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro - encontrei as seguintes sugestões de premiação:

 O aterrador e transgressivo FILMEFOBIA, de Kiko Goifman.

Longa-metragem em 35mm

Melhor Filme
FILMEFOBIA, de Kiko Goifman

Prêmio especial do Júri
 Numa seleção de filmes de longa metragem onde as verdadeiras "estrelas" foram personalidades excepcionais à frente das câmeras, o Prêmio Especial do Juri deveria ter ido para JEAN-CLAUDE BERNARDET, em " FilmeFobia, DOMINGUINHOS, em "O Milagre de Santa Luzia" e o PROF. VAMIREH CHACÓN, em "Tudo isso parece um sonho"

Melhor Direção
GERALDO SARNO por "Tudo isso parece um sonho"

Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante (sem distinção de categoria)
EVERALDO PONTES e ADILSON MAGDÁ, ambos por "Siri-Ará"

Melhor Atriz
ELENCO FEMININO de "Siri-Ará"

Melhor Atriz Coadjuvante
DÉBORA DUBOC por "Filmefobia"

Melhor Roteiro
GERALDO SARNO E WERNER SALLES, pelo trabalho de pesquisa em "Tudo isso parece um sonho"

Melhor Fotografia
PEDRO URANO por "Siri-Ará"

Melhor Direção de Arte
CRIS BIERRENBACH por "FilmeFobia"

Melhor Trilha Sonora
LÍVIO TRAGTENBERG por "FilmeFobia"

Melhor Som
para a edição de som de MIRIAM BIDERMAN, RICARDO REIS E ANA CHIARINI, em "À Margem do Lixo"

Melhor Montagem
Ex-Aequo: VÂNIA DEBS por "FilmeFobia" e WILLEM DIAS por "À Margem do Lixo"

 Luiz Castillini, em MINAMI EM CLOSE-UP (de Thiago Mendonça).

Curta ou Média-metragem em 35mm

Melhor Filme
MINAMI EM CLOSE-UP, de Thiago Mendonça

Melhor Direção
MARCELO LORDELLO, por "N° 27"

Melhor Ator
Ex-Aequo: EVERALDO PONTES, por "Superbarroco", e CAIO ALMEIDA, por "N° 27"

Melhor Atriz
ANA LÚCIA TORRE e DENISE WEIMBERG, ambas por "Na madrugada"

Melhor Roteiro
ESTEVÃO GARCIA e LUIS ROCHA MELO, por "Que Cavação é Essa ?"

Melhor Fotografia
JACQUES CHEUICHE, por "Na Madrugada"

Melhor Montagem
FERNANDO FONINI, por "Minami em Close-up"



Escrito por Carlos Reichenbach às 13h00
[] [envie esta mensagem] []


 
   TOQUES

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTA METRAGEM DO RIO DE JANEIRO

NA SALA CINEMATECA, EM SÃO PAULO

05.12 | SEXTA

SALA CINEMATECA BNDES
16h00 CURTA CINEMA 2008 | CURTÍSSIMOS
19h30 CURTA CINEMA 2008 | JÚLIO BRESSANE

06.12
| SÁBADO

SALA CINEMATECA PETROBRAS
14h30 CURTA CINEMA 2008 | INFANTIL 1
20h00 CURTA CINEMA 2008 | ANDREA TONACCI
21h30 CURTA CINEMA 2008 | PREMIADOS NACIONAIS

07.12
| DOMINGO
SALA CINEMATECA PETROBRAS
15h00 CURTA CINEMA 2008 | INFANTIL 2
16h30 CURTA CINEMA 2008 | EXPERIMENTA
18h00 CURTA CINEMA 2008 | CARLOS REICHENBACH

SALA CINEMATECA BNDES
16h00 CURTA CINEMA 2008 |
SESSÃO OLHOS LIVRES

 Na Sessão Olhos Livres serão exibidos os filmes: "O Suspense Segundo Hitchcock", de João Callegaro, "Uma Aula de Sanfona", de Inácio Araújo, "De Resto", de Daniel Chaia e "Nas Duas Almas", de Vébis Junior. O programa inclui três pequenos filmes "hai-kais" ("Os Dentes de Netuno", "Caras e Bocas e outras Saliências" e "Borboletas do Terceiro Reich"), editados no Windows Movie Maker à partir de material de arquivo, e "Murilendo", que realizei em Hi-8, à convite da TV Cultura para o programa Matéria Assinada.



Escrito por Carlos Reichenbach às 14h56
[] [envie esta mensagem] []


 
   41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

O OURO DE BRASÍLIA 2008

 

 - Este texto não espelha a premiação final do 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro mas, única e exclusivamente, a opinião do editor deste blog -

 

TUDO ISSO ME PARECE UM SONHO, de Geraldo Sarno

 A maturidade política do documentário brasileiro. Uma generosa aula de história que não subestima o espectador, na tradição mais avançada do materialismo dialético e da inspiração visionária de Antônio Gramsci e Palmiro Togliatti. Sarno fez um filme que celebra o exercício do pensamento ("todos os homens são filósofos" - Gramsci). Para poucos sim; mas ninguém me convence que o cinema precise eternamente bajular o grande público e ficar subserviente à ditadura do borderô e da preguiça que faz evitar a reflexão. TUDO ISSO ME PARECE UM SONHO pressupõe cultura política, fina informação, fé na liberdade e o prazer do debate (nunca do discurso e do proselitismo). Um troféu audiovisual à inteligência e ao amor à América Latina.

 

FILME FOBIA, de Kiko Goifman

 Magnífico festim audiovisual de assustadora ousadia e constante provocação. Jean-Claude Bernardet "interpreta" um Dr. Phibes dos trópicos, que submete atores, não-atores, masoquistas, atrevidos e o próprio diretor à síntese de sua assertiva: "A única imagem verdadeira é a expressão de um fóbico diante de sua fobia.". Todos os talentosos cúmplices de Goifman (Hilton Lacerda, Lívio Tragtenberg, Aluísio Raulino, Chris Bierrenbach e Vânia Debs) se engajaram na sua arrojada aventura de subverter os limites entre a ficção e o documentário. De quebra, as presenças luminares de José Mojica Marins (impagável e, surpreendentemente, cínico) e Débora Duboc (a força demencial do olhar pânico e seu espelho).

 

MINAMI EM CLOSE-UP, de Thiago Mendonça

 Carinhoso e irreverente tributo ao cinema da Boca-do-Lixo; nunca nostálgico, ressentido ou oportunista. Pessoas que me são muito queridas, como Cláudio Cunha, Patrícia Scalvi e Luis Castillini dão depoimentos essenciais a respeito da extinta revista Cinema em Close Up, reverenciada por intelectuais como Paulo Emílio Salles Gomes ou cultores do erotismo nativo, do cinema sapeca, libertino e popular da década de 70. Mendonça realizou o mais gratificante e bem humorado inventário sobre o chamado "cinema das bordas", com destaque especial para duas exuberantes e explícitas homenagens aos clássicos experimentais O PORNÓGRAFO, de João Callegaro, e O GURÚ E OS GURIS, de Jairo Ferreira (na sequência do "fogo" deflagrador da confraria, num bar da Rua do Triumpho).

 Outros filmes, como os ótimos curtas metragens "NÚMERO 27" ou "NA MADRUGADA", ou mesmo o complexo, original, belo e incompreendido SIRI-ARÁ, de Rosemberg Cariri, desmentem a falsa impressão de seleção sofrível com que foi recebido o evento pela maior parte da imprensa.

 A premiação oficial já foi publicada em todos os jornais do país.



Escrito por Carlos Reichenbach às 02h25
[] [envie esta mensagem] []


 
   Rápida - De Brasília

NOTA (DESESPERADA) DE BRASÍLIA

 Uma autêntico vendaval de arrogância e cretinice o que vem acontecendo nas salas brasileiras de cinema (e, infelizmente, também aqui no cine Brasília).

 Como se não bastassem o fedor de manteiga rançosa das pipocas e o papo animado - e em voz alta - de gente estúpida durante as sessões, os idiotas resolveram agora exibir - em público e de forma acintosa - seus moderníssimos equipamentos hi-tecs (sobretudo, enormes iPhones).

 Durante a exibição de O MILAGRE DE SANTA LUZIA, na quarta-feira, um babaca na fileira da frente do júri oficial da competição 35mm ficou assistindo ao jogo Brasil-Portugal, durante toda sessão, incomodando várias pessoas que acompanhavam com interesse o bonito documentário que tem o genial Domiguinhos como guia.

 PIOR: o cidadão na certa devia fazer parte de alguma equipe dos curtas metragens em competição, pois estava sentado na fileira reservada aos concorrentes. Deu vontade de perguntar ao mocinho o nome do curta de que ele havia participado e sumariamente "queimar o filme" do Mané.

 O procedimento, infelizmente não foi exclusivo do boçal em questão, mas vem se repetindo todos os dias, à despeito da solicitação que é feita pelos apresentadores antes das exibições (inclusive, à meu pedido). Ontem, outro Mané passou meia hora - na minha frente - lendo e-mails e consultando sites de horóscopo. Como o cara não se tocava, toquei eu, enfiando a sola do meu 46 (bico largo) em sua vasta cabeleira. Ao pedir desculpas pelo descuido de "escorregar" o pé em sua cabeça, aproveitei para "sugerir" (de forma civilizada, claro) ao camaradinha desligar o seu moderníssimo iPhone ("que está enchendo o meu saco a meia-hora").

 Alguém me contou ontem, que David Lynch declarou recentemente, que cada dia que passa as pessoas estão indo ao cinema menos para ver os filmes, mas para sairem do anonimato e se exibirem.

- Carlos Reichenbach está no 41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, como jurado dos filmes em 35 milímetros (longas e curtas) -


LANÇAMENTO DE LIVRO

DIA 08 DE DEZEMBRO

BAR BALCÃO

Rua Mello Alves - SÃO PAULO

À partir das 19.30



Escrito por Carlos Reichenbach às 11h08
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
HISTÓRICO



OUTROS SITES
 OLHOS LIVRES - BÔNUS
 LINKS RÁPIDOS OLHOS LIVRES
 LINKS OLHOS LIVRES AMPLIADO - Todo cinema na Web
 FILMOGRAFIA E CURRÍCULO DE CARLOS REICHENBACH
 IMDB
 ALL MOVIE GUIDE


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!